top of page

O que é a taxa Selic e como ela influencia sua vida?

Você já deve ter ouvido falar da tal taxa Selic nos noticiários, especialmente quando o assunto é economia, inflação, juros ou crédito. Mas afinal, o que é essa taxa? E por que ela é tão importante a ponto de influenciar diretamente a sua vida, mesmo que você não tenha conta em banco, nem investimentos na bolsa?


Neste artigo, vamos explicar de forma simples, direta e didática o que é a taxa Selic, como ela funciona, por que o Banco Central do Brasil a utiliza e, principalmente, como ela impacta o seu dia a dia.


1. O que é a taxa Selic, afinal?


A Selic é a sigla para Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. Pode parecer complicado, mas na prática, quando falamos "taxa Selic", estamos nos referindo à taxa básica de juros da economia brasileira.


Ela é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Brasil, geralmente a cada 45 dias, em reuniões amplamente divulgadas pela mídia.


Essa taxa é usada pelo Banco Central para controlar a inflação e estimular ou frear a economia. É com base nela que os bancos decidem quanto vão cobrar de juros em empréstimos e financiamentos, ou quanto vão pagar em aplicações de renda fixa.


2. Como a taxa Selic é definida?


A Selic é determinada pelo Copom, que analisa uma série de indicadores da economia:


  • Índices de inflação (como o IPCA)

  • Nível de atividade econômica (PIB)

  • Taxa de câmbio

  • Nível de emprego

  • Ambiente internacional


Com base nesses dados, o Copom decide se mantém, aumenta ou reduz a Selic, com o objetivo principal de controlar a inflação, isto é, manter os preços dos produtos e serviços estáveis ao longo do tempo.


3. Por que a Selic é importante para o combate à inflação?


A inflação acontece quando os preços sobem demais, prejudicando o poder de compra das pessoas. Quando isso ocorre, o Banco Central pode aumentar a Selic.


Com uma Selic mais alta:

  • Os empréstimos e financiamentos ficam mais caros.

  • As pessoas consomem menos.

  • As empresas investem menos.

  • A economia desacelera.


Com isso, a demanda por produtos diminui, e os preços tendem a se estabilizar ou até cair. Ou seja: juros altos ajudam a conter a inflação.


Já quando a economia está fraca, o Banco Central reduz a Selic para estimular o consumo e os investimentos, tornando o crédito mais barato.


4. Como a Selic afeta a sua vida na prática?


A influência da Selic vai muito além das manchetes econômicas. Ela está presente em várias decisões do seu cotidiano:


a) Empréstimos e financiamentos


Quando a Selic está alta, os bancos aumentam os juros cobrados em empréstimos, cartões de crédito, cheque especial, financiamentos de veículos e imóveis.


Por exemplo:

  • Um financiamento de carro que custava R$ 1.000 por mês pode passar a R$ 1.300 quando a Selic sobe.

  • Um empréstimo pessoal de R$ 5 mil pode ter um aumento de R$ 500 ou mais no custo total.


Por isso, ficar atento à Selic é fundamental na hora de fazer dívidas.


b) Investimentos e poupança


Se você aplica dinheiro em investimentos como Tesouro Direto, CDBs, LCIs e LCAs, a taxa Selic é sua aliada.


Quanto maior a Selic, maior a rentabilidade desses investimentos de renda fixa.


A própria poupança rende mais (ainda que pouco) quando a Selic está acima de 8,5% ao ano. Quando está abaixo disso, a poupança rende apenas 70% da Selic + TR (Taxa Referencial), que é praticamente zero.


Portanto:

  • Selic alta → bom para investir em renda fixa

  • Selic baixa → melhor buscar outras opções, como ações ou fundos


c) Mercado imobiliário


A Selic também influencia diretamente o mercado de imóveis.


Quando a taxa está baixa, o crédito imobiliário fica mais barato. Isso incentiva a compra da casa própria e o aquecimento do setor.


Já quando a Selic está alta, as parcelas dos financiamentos aumentam, e muitas pessoas desistem da compra. Isso mostra como a Selic pode afetar até seus planos de moradia.


d) Preços no supermercado e nas contas


Como vimos, a Selic é uma ferramenta de combate à inflação. E a inflação mexe com os preços de tudo o que você consome: alimentos, combustíveis, energia elétrica, roupas, etc.


Se o Banco Central não aumentar a Selic diante de uma inflação descontrolada, os preços podem subir de forma acelerada, e o seu dinheiro passa a valer menos.


e) O emprego e a economia em geral


Selic alta reduz consumo, desestimula investimentos e pode frear a geração de empregos. Selic baixa estimula consumo, incentiva as empresas a crescer e pode gerar mais vagas no mercado de trabalho.


Ou seja, a taxa Selic influencia a economia como um todo, inclusive o seu emprego, salário e poder de compra.


5. Como a Selic influencia os bancos e o crédito?


Os bancos operam com base na Selic para definir os juros cobrados dos clientes.


A relação é a seguinte:

  • O Banco Central empresta dinheiro aos bancos com base na Selic.

  • Os bancos, por sua vez, repassam esse custo aos clientes, com acréscimos (spreads).


Por isso, mesmo quando a Selic está em 10% ao ano, os juros finais podem passar de 100% no cheque especial ou cartão de crédito.


Além disso, como mostram estudos de Paula & Branco (2013), a Selic amplia os spreads bancários, o que torna o crédito no Brasil mais caro que em muitos países.


6. E os investidores, como reagem à Selic?


A Selic tem um papel central nas decisões de investimento. Funciona assim:


  • Selic alta: mais gente investe em renda fixa, como Tesouro Selic e CDBs, por serem seguros e com bons retornos.

  • Selic baixa: investidores buscam ações e fundos imobiliários, tentando compensar os rendimentos menores com mais risco.


Durante períodos de Selic baixa, como entre 2020 e 2021, houve uma explosão de novos investidores na bolsa. Quando a Selic voltou a subir, muitos migraram de volta para a renda fixa.


7. A Selic como ferramenta de estabilidade econômica


Segundo economistas como Marques & Fittipaldi (2022) e Filho et al. (2024), a Selic é essencial, mas não age sozinha.


Outros fatores também influenciam a estabilidade da economia, como:

  • Taxa de câmbio (valorização ou desvalorização do real)

  • Política fiscal (gastos públicos e arrecadação)

  • Situação econômica mundial


A Selic é parte de um conjunto de medidas para manter a economia em equilíbrio.


8. Limites e críticas à eficácia da Selic


Embora seja uma ferramenta poderosa, a Selic não resolve tudo.


Algumas críticas comuns são:

  • Demora nos efeitos: pode levar meses para uma mudança na Selic influenciar a inflação.

  • Impacto desigual: penaliza mais quem depende de crédito (geralmente pessoas mais pobres).

  • Desincentivo à produção: juros altos podem desestimular a atividade produtiva.


Portanto, muitos especialistas defendem abordagens integradas, combinando política monetária (Selic), política fiscal e políticas sociais.



A taxa Selic pode parecer algo distante, reservado aos especialistas e economistas, mas ela está profundamente conectada à sua vida cotidiana. Desde o valor da sua fatura do cartão até o rendimento da sua poupança, passando pelas possibilidades de conseguir um financiamento ou manter seu emprego, a Selic é uma força invisível que molda decisões individuais e coletivas. Aprender sobre a Selic é, de certa forma, assumir o controle das suas finanças e se preparar melhor para o futuro.

Comentários


Contato

Obrigado(a)

© 2023 by Prof. Thiago Holanda

bottom of page