Entendendo a diferença entre renda fixa e variável
- Prof. Thiago Holanda

- 29 de dez. de 2025
- 4 min de leitura
Se você já pensou em tirar o dinheiro da poupança, mas travou na hora de escolher onde investir, saiba que não está sozinho, pois a famosa "sopa de letrinhas" do mercado financeiro, com siglas como CDB, LCI, FII e tantas outras, assusta muita gente.

No entanto, a verdade é que, por trás de todos esses nomes difíceis, o mundo dos investimentos se divide em apenas dois grandes grupos que você precisa conhecer: a renda fixa e variável.
Entender a diferença entre elas não é apenas algo reservado a especialistas, mas sim o primeiro passo para parar de perder dinheiro para a inflação e começar a construir seu patrimônio, simplificando essa história ao imaginar que investir se resume a duas atitudes básicas: ou você empresta dinheiro, ou você se torna sócio de um negócio.
Quando você opta pela Renda Fixa, você está, basicamente, assumindo o papel de banqueiro, pois empresta o seu dinheiro para alguém (que pode ser o Governo, um banco ou uma empresa) e, em troca, recebe esse valor de volta com juros após um determinado tempo. É por isso que essa modalidade se chama "Fixa", já que as regras de como você vai lucrar são definidas logo na largada, permitindo que você saiba qual índice o seu dinheiro vai seguir ou exatamente quanto vai ganhar.
Essa categoria é bastante "conservadora", oferecendo baixo risco de perda e alta previsibilidade, sendo o lugar ideal para guardar a sua reserva de emergência, aquele dinheiro destinado a imprevistos como um carro quebrado ou a perda de um emprego. Os exemplos mais clássicos no Brasil incluem o Tesouro Direto, onde você empresta para o governo federal no investimento considerado o mais seguro do país, e os CDBs, onde você empresta para um banco financiar outras pessoas.
Por outro lado, quando mudamos a chave para a Renda Variável, a lógica muda, pois você deixa de ser um credor para se tornar um sócio. Ao comprar uma ação de grandes empresas como a Petrobras ou o Casas Bahia, ou ao investir em Fundos Imobiliários (FIIs), você adquire um pedacinho desses negócios ou imóveis. Se essas empresas lucrarem e crescerem, o seu dinheiro cresce junto, inclusive com a possibilidade de receber dividendos, que são a divisão dos lucros isenta de imposto de renda caindo direto na sua conta; contudo, se o mercado entrar em crise ou a empresa tiver prejuízo, o valor do seu investimento pode cair temporariamente. Como o próprio nome diz, a renda varia e não há garantia de retorno, exigindo do investidor "estômago" para aguentar o sobe e desce do mercado em troca de um potencial de ganho muito maior no longo prazo, superando historicamente os juros da renda fixa.
O grande "segredo", que muitos iniciantes demoram a descobrir, é que não existe uma modalidade "melhor" ou "pior", e você não precisa escolher apenas um lado. Uma carteira saudável equilibra a segurança dos empréstimos com o potencial de crescimento da sociedade.
Para concluir meu texto, deixo abaixo um pequeno glossário de termos que, para os iniciantes, pode parecer confuso, mas que são simples e fáceis de entender. Espero que ajude!
Ação: menor pedaço de uma empresa; quem tem uma ação é sócio do negócio.
Alocação de Ativos: o ato de não colocar todos os ovos na mesma cesta, dividindo o dinheiro entre vários tipos de investimento.
B3: é a Bolsa de Valores do Brasil, o lugar onde se compram e vendem ações e fundos.
Benchmark: é uma meta ou referência (exemplo: "Meu investimento rendeu acima do CDI").
CDB: título onde você empresta dinheiro para o banco e recebe juros.
CDI: taxa "mãe" dos investimentos de Renda Fixa privados; se a Selic sobe, o CDI sobe junto.
Cotização: tempo que leva para o seu dinheiro virar cota de um fundo (ao aplicar) ou virar dinheiro na conta (ao resgatar).
Day Trade: comprar e vender a mesma ação no mesmo dia para tentar lucrar rápido, o que envolve altíssimo risco.
Diversificação: ter vários investimentos diferentes para diminuir o risco de perder dinheiro.
Dividendo: parte do lucro da empresa que é repartida com os acionistas, funcionando como um "dinheiro extra" na conta.
ETF: fundo que imita um índice, como um ETF que compra todas as ações do índice Bovespa de uma vez só.
FGC (Fundo Garantidor de Créditos): O "seguro" da Renda Fixa; se o banco quebrar, o FGC devolve seu dinheiro (até R$ 250 mil).
FII (Fundo Imobiliário): investimento na bolsa focado em imóveis, ótimo para receber "aluguéis" mensais isentos de IR.
IPCA: a inflação oficial do Brasil; investimentos atrelados a ele protegem seu poder de compra.
LCI/LCA: investimentos em Renda Fixa isentos de Imposto de Renda, focados em imóveis e agronegócio.
Liquidez: a facilidade de transformar seu investimento em dinheiro vivo na mão (a poupança tem alta liquidez, um imóvel tem baixa).
Marcação a Mercado: a oscilação diária do preço dos títulos de renda fixa, que pode gerar perdas se vendidos antes do vencimento.
Selic: taxa básica de juros da economia, definida pelo Banco Central, que manda em quase todos os investimentos.
Tesouro Direto: plataforma online onde você empresta dinheiro para o Governo Federal.
Volatilidade: quanto o preço de um ativo sobe e desce; muita volatilidade significa muito "balanço" no preço.






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